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D'Angelles Backes

Kelly Phillips Erb
Kelly Phillips Erb

No início de 2025, o governo impôs tarifas abrangentes sobre importações de alimentos, em uma iniciativa denominada “Dia da Libertação”, visando fortalecer a autossuficiência dos Estados Unidos. Uma ordem executiva emitida em abril declarava que “uma nação não pode sobreviver por muito tempo se não consegue produzir seu próprio alimento”.

Entretanto, o governo recentemente recuou, suspendendo as tarifas sobre produtos agrícolas específicos que não são produzidos em larga escala no país, como café, bananas e suco de laranja.

O presidente comentou sobre a medida: “Só fizemos um pequeno recuo em alguns alimentos, como o café, por exemplo, em que os preços do café estão um pouco altos agora. Eles vão ficar mais baixos em um período muito curto de tempo.” As novas isenções tarifárias entraram em vigor retroativamente.

As tarifas são impostos sobre importações, geralmente aplicados para arrecadar recursos ou proteger setores da concorrência. A teoria é que as tarifas aumentam o custo de produtos estrangeiros, incentivando o consumo de produtos domésticos, desde que estes estejam disponíveis.

Economistas apontam que tarifas podem ser eficazes em alguns setores, como o automobilístico. No entanto, mesmo as tarifas mais protecionistas não conseguem estimular a produção de itens que não podem ser cultivados internamente, como café e bananas.

Ambos os produtos são amplamente consumidos nos Estados Unidos, mas a produção interna é mínima ou inexistente. Importações de café de grandes produtores como Brasil e Vietnã enfrentavam tarifas elevadas, assim como as bananas da América Central e do Sul.

O café prospera em ambientes tropicais moderados, com solos ricos, alta umidade e pouca incidência de pragas, condições encontradas no “Cinturão do Café”, que inclui países como Brasil, Colômbia, Etiópia e México. Apenas o Havaí, nos Estados Unidos, está dentro desse cinturão, produzindo menos de 1% do café mundial.

Apesar disso, tarifas foram impostas sobre produtos como o café. Em setembro, os preços do café já tinham subido mais de 40% em comparação com o ano anterior, enquanto o custo das bananas registrava alta de quase 9%.

Para conter os preços, foi divulgada uma lista de mais de 100 produtos que deixarão de estar sujeitos às tarifas, incluindo café, cacau, chá, favas de baunilha, frutas tropicais, especiarias, carne bovina e castanhas.

As tarifas têm sido contestadas judicialmente sob a alegação de ilegalidade, com o argumento de que o poder de tributar é constitucionalmente atribuído ao Congresso. Um tribunal federal de apelações concluiu que o governo extrapolou sua autoridade ao impor as tarifas. A Suprema Corte ouviu os argumentos no início deste mês, mas ainda não há uma decisão.

O governo propôs enviar um “dividendo” de tarifa de US$ 2.000 por pessoa para “dividir a riqueza”. A medida visa aliviar a preocupação dos eleitores com o custo de vida. Apesar das alegações do governo de que os preços caíram, o preço médio dos alimentos nos supermercados estava 2,7% mais alto que no ano anterior, em setembro.

Fonte: forbes.com.br

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