A plataforma de jogos Roblox, com mais de 150 milhões de usuários diários, implementará a verificação facial para liberar o uso do chat a partir de janeiro de 2026. A medida, inédita no setor, levanta debates sobre segurança digital infantil, privacidade e responsabilidade corporativa. A empresa se posiciona como pioneira, buscando estabelecer um novo padrão de mercado.
Em setembro de 2025, o Senado Federal destacou os perigos do mundo digital para crianças e adolescentes, como assédio e exposição a conteúdos inadequados. Paralelamente, o Governo Federal publicou guias sobre o uso de telas e jogos digitais, alertando para vícios, cyberbullying e contato com desconhecidos. O Estatuto da Criança e do Adolescente foi atualizado para o ambiente online, estabelecendo regras para que as plataformas adotem mecanismos eficazes de verificação de idade, sem transformar dados em instrumentos comerciais ou de vigilância.
A Roblox alega que a decisão está ligada ao perfil de seus jogadores, que reúne milhões de crianças e adolescentes em diferentes faixas etárias, exigindo novas formas de proteção. A empresa considera a biometria uma resposta a esse desafio de convivência digital.
A empresa afirma que o processo é rápido, seguro e realizado pelo aplicativo, com imagens processadas e excluídas imediatamente após a verificação. Para menores de 13 anos, haverá pedido de autorização dos pais para a verificação facial, válida apenas para liberar o chat. Sem a verificação, os usuários continuam jogando normalmente, mas sem acesso às conversas.
A Geração Alpha, crianças de até 14 anos, é a que mais preocupa quando o assunto é segurança digital. Pesquisas indicam que a maioria dos jogadores dessa faixa etária tem entre 10 e 15 anos, com consumo rotineiro de jogos digitais e intensa participação em comunidades digitais.
Especialistas alertam que a biometria não é uma solução definitiva e pode gerar uma falsa sensação de segurança. Eles reforçam a necessidade de letramento digital contínuo para crianças, pais e responsáveis, além de regulamentação equilibrada que garanta proteção sem violar direitos fundamentais.
Psicólogos avaliam que a medida pode reduzir riscos como assédio, mas alertam para paradoxos, como a normalização da biometria infantil e a dessensibilização da privacidade.
Fonte: forbes.com.br
