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D'Angelles Backes

A Prefeitura de Goiânia, sob a administração de Sandro Mabel (UB), implementou em 2025 uma série de medidas focadas na ampliação de parcerias com organizações sociais (OSs) e entidades privadas. A estratégia, apresentada como um “choque de eficiência”, ocorreu em meio a uma crise financeira municipal e problemas operacionais, principalmente na área da Saúde.

Em menos de seis meses, a gestão municipal reestruturou a gestão de maternidades, iniciou uma profunda reforma no Instituto Municipal de Assistência à Saúde dos Servidores (Imas), abriu caminho para a terceirização na educação infantil e iniciou estudos para a concessão de parques públicos. A rapidez e abrangência dessas ações geraram controvérsia, questionamentos legais e acompanhamento constante do Ministério Público (MP) e da Câmara Municipal.

A terceirização começou pela Saúde. Em julho, o Hospital Municipal e Maternidade Célia Câmara (HMMCC) suspendeu partos por falta de pagamento a anestesistas, e a restrição de atendimentos se estendeu a outras unidades. A prefeitura rompeu o contrato com a Fundação de Apoio ao Hospital das Clínicas (Fundahc) e, em três dias, escolheu novas gestoras para as maternidades em regime emergencial. Três organizações sociais assumiram a administração das maternidades por três meses, com repasse total de R$ 38 milhões.

Em novembro, o Sindicato dos Trabalhadores do Sistema Único de Saúde no Estado de Goiás (Sindsaúde/GO) denunciou insegurança, incertezas salariais, falta de pessoal e relatos de mau atendimento. Pacientes reclamaram de demora nas emergências, principalmente nas unidades Dona Iris e Nascer Cidadão. As OSs negaram as denúncias, mas a situação evidenciou falhas de monitoramento e falta de transparência nos contratos emergenciais.

Paralelamente, o Imas, plano de saúde dos servidores, também passou por reestruturação. Com uma dívida superior a R$ 145 milhões, o instituto foi criticado pela gestão, que pretende terceirizar a gestão técnica por licitação a partir de 2026, buscando aumentar a receita mensal para R$ 25 milhões. O Ministério Público de Goiás (MP-GO) acompanha o processo, exigindo um Plano de Transformação Estrutural.

Na Educação Infantil, a prefeitura publicou portaria credenciando Organizações da Sociedade Civil (OSCs) para administrar novos Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs). A medida é justificada pela necessidade de ampliar vagas. A vereadora Aava Santiago (PSDB) acionou o Ministério Público de Contas do TCM-GO pedindo a suspensão da portaria, alegando terceirização da educação infantil.

Além disso, foram anunciados estudos para conceder a gestão de cerca de 11 parques públicos à iniciativa privada, sob a justificativa da incapacidade municipal de manter os espaços adequadamente. A medida levanta questões sobre o risco de elitização e a regulamentação de atividades comerciais em áreas verdes.

A gestão busca consolidar a narrativa de modernização e eficiência para justificar as mudanças. A velocidade das decisões e os questionamentos jurídicos mostram que a reestruturação de Goiânia opera em um terreno instável. Até o fechamento desta matéria, a prefeitura não havia respondido aos pedidos de esclarecimentos sobre as medidas.

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