O agronegócio brasileiro, peça fundamental da economia, representando cerca de 25% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional, enfrenta um desafio crescente: a falta de proteção financeira para a produção no campo. Apesar da expansão da área cultivada para 97 milhões de hectares, a cobertura de seguro rural está diminuindo drasticamente.
O orçamento do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), que deveria ser de R$ 4 bilhões, está atualmente em apenas R$ 1 bilhão, resultando em uma lacuna de R$ 3 bilhões. Esta situação pode levar o Brasil a encerrar 2025 com uma cobertura de seguro rural similar à de dez anos atrás, caso o ritmo atual de contratações seja mantido.
Um estudo recente aponta que, até julho, apenas 2,2 milhões de hectares estavam segurados, o que representa 2,3% da área total plantada no país. Com a média mensal de 6,7 mil apólices pelo PSR, a projeção é de que, ao final de 2025, apenas 4 a 5 milhões de hectares estejam protegidos, um nível de cobertura visto em 2015. Naquele ano, o Brasil cultivou 78,1 milhões de hectares, com 2,6 milhões (3,3%) segurados.
A diminuição da área segurada é atribuída à instabilidade orçamentária e à imprevisibilidade dos subsídios públicos. O número de contratos via PSR pode ser 40% inferior ao de 2024 e 62% menor que o pico de 2021. A retração do subsídio tem levado produtores a contratarem apólices para áreas menores ou apenas para culturas de alto risco, como o milho safrinha.
A ausência de subvenção exclui principalmente os produtores mais vulneráveis, deixando-os desprotegidos. A falta de seguro rural pode levar a um ciclo vicioso, onde o produtor enfrenta dificuldades financeiras, o poder público precisa criar programas emergenciais de renegociação de dívidas, e a sucessão familiar no campo é desestimulada.
Entre janeiro e agosto de 2025, o seguro rural registrou queda de 6,7% na arrecadação, totalizando R$ 8,7 bilhões, e uma retração de 7,4% no pagamento de indenizações, que totalizaram R$ 3,1 bilhões. A situação levanta preocupações sobre a segurança alimentar nacional e a resiliência produtiva do país.
Fonte: forbes.com.br
