Gigantes da inteligência artificial, incluindo OpenAI, Google, Microsoft, Amazon e Meta, planejam expandir significativamente sua capacidade computacional entre 2025 e 2030. A ambição é mais que dobrar a infraestrutura dedicada ao desenvolvimento e operação de suas inteligências artificiais. Atualmente, estas empresas utilizam cerca de 40 gigawatts de energia, o suficiente para suprir aproximadamente 30 milhões de residências.
Este crescimento exponencial vem com um preço elevado. Estima-se que o custo total alcance US$ 2,5 trilhões nos próximos cinco anos, com cada gigawatt de potência computacional instalada custando cerca de US$ 50 bilhões.
Uma parte significativa deste investimento, cerca de 80%, será destinada à aquisição de Unidades de Processamento Gráfico (GPUs) de empresas como Nvidia e AMD. Os US$ 500 bilhões restantes serão alocados para garantir o fornecimento de energia necessário, incluindo a construção de novas usinas e linhas de transmissão.
Projeções indicam que, até 2030, os datacenters nos Estados Unidos consumirão 500 terawatts-hora anualmente, representando mais de 10% do consumo total de eletricidade do país.
A dificuldade em obter energia já afeta alguns projetos. No Oregon, a Amazon Data Services registrou uma reclamação contra a Pacificorp devido à recusa em fornecer energia para datacenters, impactando um investimento de US$ 30 bilhões na região. Em Santa Clara, Califórnia, dois centros de 50 megawatts, desenvolvidos pela Digital Realty e pela Stack Infrastructure, estão prontos, mas dependem da conclusão de melhorias na rede elétrica, previstas para 2028 ou posterior.
Diante do aumento na demanda, a concessionária AES, em Ohio, exigiu que os desenvolvedores de datacenters firmassem contratos de longo prazo para adquirir 85% da energia requisitada, resultando na redução de pedidos.
Apesar dos desafios, analistas mostram otimismo. Há quem acredite que o rápido crescimento da demanda seja positivo para a economia dos EUA e que o país está bem posicionado para alimentar o crescimento econômico e as indústrias estratégicas. Analistas também apontam a existência de capacidade excedente no mercado energético, desde que os projetos sejam localizados estrategicamente.
Desenvolvedores de datacenters têm buscado alternativas, como a construção de geração própria de energia. No Texas, o projeto Stargate, envolvendo OpenAI, SoftBank, Oracle e MGX, está instalando turbinas a gás para garantir o fornecimento de energia de backup. Até mesmo empresas petrolíferas estão entrando no setor, buscando lucrar com a diferença entre o preço do gás natural e o valor da eletricidade.
A demanda por energia para IA pode até mesmo revitalizar o uso do carvão. No Colorado, autoridades pediram o adiamento do fechamento de usinas a carvão até que alternativas sejam encontradas. No longo prazo, a energia nuclear também poderá desempenhar um papel importante, com empresas como Meta, Microsoft e Amazon já contratando o fornecimento de energia de reatores nucleares.
Fonte: forbes.com.br
