A B3, a bolsa de valores brasileira, vive um período de grande prosperidade em 2025, impulsionada por um rali que elevou o Ibovespa a níveis sem precedentes. Desde o dia 3 de novembro, quando ultrapassou a marca de 150 mil pontos, a bolsa brasileira não fechou abaixo desse patamar. No acumulado do ano, o avanço se aproxima de 30%, colocando o mercado brasileiro entre os de melhor desempenho no mundo.
Essa performance é resultado de uma combinação de fatores. A expectativa de queda de juros nos Estados Unidos tem atraído para o Brasil parte do fluxo de capital estrangeiro direcionado a países emergentes. A bolsa brasileira é vista como barata e atrativa frente ao cenário macroeconômico global.
Apesar da forte contribuição das blue chips, a valorização mais expressiva ocorreu em setores mais sensíveis ao ciclo de juros domésticos. O setor imobiliário liderou os ganhos, com um aumento de 81,09% no acumulado do ano. O setor de utilities, que engloba empresas de energia elétrica, saneamento e gás, teve um avanço de 61,37% no ano, seguido pelo Índice de Energia Elétrica (IEE), com alta de 56,5%.
Entre as ações que mais se valorizaram dentro de cada índice setorial, a Cogna lidera, com um aumento de 260,89% no ano. A Movida aparece em segundo lugar, com alta de 206,69%.
Grande parte do movimento que impulsionou a B3 em 2025 pode ser atribuída ao mercado externo. Um dólar globalmente mais fraco, o redirecionamento de capital para mercados emergentes e a perspectiva de corte de juros beneficiaram os índices de ações de emergentes, incluindo o Brasil.
A entrada de capital estrangeiro foi fundamental, com um aporte de cerca de R$ 30 bilhões na B3. Esse fluxo ditou o ritmo da bolsa durante grande parte do ano. No mercado doméstico, a taxa Selic permaneceu em 15% ao longo do segundo semestre, com o mercado projetando cortes somente em 2026.
Outro fator relevante foi o aumento dos programas de recompra de ações. O Brasil atingiu o maior nível de programas em aberto, totalizando 128, indicando que as próprias empresas estão utilizando seu capital para injetar liquidez no mercado.
Apesar do forte rali, a bolsa brasileira ainda mantém patamares de valuation considerados atrativos, principalmente em comparação com o cenário global.
Fonte: forbes.com.br
