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D'Angelles Backes

Cláudio Gradilone
Cláudio Gradilone

O engenheiro Renato de Albuquerque, aos 97 anos, permanece ativo no mercado imobiliário, mesmo após décadas de carreira. Longe de se dedicar exclusivamente aos prazeres da vida, como sua vasta coleção de porcelanas chinesas, com 2.500 peças, ele continua influenciando o setor.

Na década de 1970, Albuquerque, através da incorporadora Albuquerque & Takaoka, introduziu o conceito de bairros planejados no Brasil com a criação de Alphaville, na Grande São Paulo. Em outubro deste ano, sua nova empresa, Artesano, lançou o Cantalupe, um loteamento em uma das últimas áreas verdes de Alphaville.

Albuquerque atua como conselheiro na Artesano e transformou sua coleção de arte em um museu na cidade de Sintra, em Portugal. Em entrevista, Albuquerque compartilhou detalhes sobre a criação de Alphaville. Segundo ele, a ideia surgiu da necessidade de um modelo urbano diferente, com regras rígidas e foco na convivência entre meio ambiente, moradia e trabalho, em resposta ao crescimento desordenado de São Paulo nos anos 70.

Inicialmente, vender lotes afastados do centro era um desafio. A incorporadora oferecia diferenciais como segurança ambiental e controle de uso, garantindo que indústrias não se instalassem ao lado de residências. A Hewlett Packard foi a primeira empresa a se interessar, buscando um local para escritórios longe do barulho de fábricas. A prefeitura de Barueri também apoiou a iniciativa, visando arrecadar mais impostos e levar infraestrutura para toda a cidade.

O nome “Alphaville” foi sugerido pelo arquiteto José de Almeida Pinto, inspirado em um filme. A escolha visava um nome fácil de pronunciar tanto por brasileiros quanto por estrangeiros.

A Albuquerque & Takaoka expandiu seus negócios pelo Brasil, criando a Alphaville Urbanismo nos anos 90, e posteriormente vendida para a Gafisa em 2013 por cerca de R$ 600 milhões, devido ao esgotamento de capital próprio e bancário. Albuquerque revela que recebeu várias propostas para abrir o capital da empresa, mas essa nunca foi uma opção atraente, devido à sazonalidade do mercado imobiliário e à alta alavancagem.

Após um período de não competição, Albuquerque retornou ao mercado de loteamentos em 2018, fundando a Artesano Urbanismo. A Artesano se diferencia por focar na qualidade, menor escala e sustentabilidade.

Albuquerque aponta a burocracia como um dos maiores desafios atuais, contrastando com a agilidade dos processos no início de sua carreira. Sua confiança em relacionamentos de longa data é um valor fundamental, preferindo o contato pessoal e a intuição na escolha de seus parceiros.

Aos 97 anos, Albuquerque atua no conselho da Artesano, compartilhando sua experiência e incentivando a inovação, ao mesmo tempo em que busca evitar que erros do passado se repitam.

Fonte: forbes.com.br

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