A ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), Carmén Lúcia, defendeu a necessidade de vigilância constante da sociedade na defesa da democracia contra investidas autoritárias. A declaração foi feita durante um evento literário ocorrido no Rio de Janeiro, no último sábado (29).
Carmén Lúcia comparou regimes ditatoriais a ervas daninhas, que demandam atenção e ação para evitar que dominem e prejudiquem o ambiente democrático. A ministra ressaltou que a democracia deve ser construída e defendida diariamente.
A fala da ministra ocorre em um momento em que o STF determinou o início do cumprimento de penas para os condenados do chamado Núcleo 1 da tentativa de golpe de estado.
A ministra participou da conferência “Literatura e Democracia”, parte da programação da 1ª Festa Literária da Fundação Casa de Rui Barbosa (FliRui), na cidade do Rio de Janeiro. Segundo a ministra, espaços literários oferecem caminhos mais plurais para envolver o público em discussões que muitas vezes ficam restritas ao universo jurídico.
Durante o evento, Carmén Lúcia relembrou documentos que revelaram planos para assassinar líderes do Executivo e do Judiciário. A ministra ressaltou que, se o golpe de Estado tivesse ocorrido, ela estaria presa. Ela também mencionou que a tentativa de “neutralizar” ministros do Supremo estava documentada, o que, segundo ela, significaria eliminar essas pessoas.
A ministra destacou ainda o compromisso histórico da Casa de Rui Barbosa com a luta democrática, refletido na trajetória de Rui Barbosa, jurista e político que enfrentou perseguições e exílio por defender direitos fundamentais.
O ex-presidente Jair Bolsonaro e aliados começaram a cumprir pena após decisão do STF. A condenação ocorreu no dia 11 de setembro por crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência e grave ameaça, e deterioração de patrimônio tombado. A Primeira Turma do STF também decidiu condenar os réus à pena de inelegibilidade pelo prazo de oito anos.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br
